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Intersetorialidade e Pioneirismo: Projeto no Agreste Pernambucano é aprovado na 13ª Edição do PET-Saúde Clima

Intersetorialidade e Pioneirismo: Projeto no Agreste Pernambucano é aprovado na 13ª Edição do PET-Saúde Clima

O Agreste Meridional de Pernambuco celebra uma conquista histórica para o SUS, a educação superior e o cuidado socioambiental. Foi oficialmente aprovado pelo Ministério da Saúde, o projeto “Reflorestando o Cuidado na Caatinga: Semeaduras de Esperança e Resiliência frente aos Impactos do Complexo Eólico em Paranatama”. Conforme divulgado através da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), e na listagem de projetos selecionados no PET-Saúde Clima (disponível para verificação no link: https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/chamamentos-publicos/2026/chamamento-publico-no-16-2026-sgtes/lista-de-projetos-homologados).

A iniciativa integra a prestigiada 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), uma ação conjunta do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, conduzida pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES). Existente desde 2010, o programa tem como foco aprimorar o conhecimento em serviço de profissionais da saúde e qualificar a formação de estudantes de graduação por meio da integração essencial entre ensino, serviço e comunidade. 

Uma Abordagem Inovadora: Saúde e Clima em Foco

O grande diferencial desta 13ª edição, intitulado de PET-Saúde Clima, é a expansão para além das fronteiras tradicionais das ciências da saúde. Reconhecendo que as mudanças climáticas e as transformações ambientais são determinantes estruturais na saúde, o edital deste ano convocou, de forma inédita, a participação de cursos de outras áreas do conhecimento.

O projeto interinstitucional aprovado, estruturado de forma longitudinal com duração de 24 meses é coordenado pela docente, médica, filósofa e mestra em Educação Contemporânea Maria Eduarda Valois Spencer e une uma robusta rede de cooperação e integração do cuidado:

  • Secretaria Municipal de Saúde de Paranatama (PE): Atuará diretamente na ponta do serviço de saúde, garantindo a inserção das equipes de Atenção Primária à Saúde (APS) e de profissionais locais.
  • Autarquia do Ensino Superior de Garanhuns (AESGA): Instituição proponente de vanguarda, que insere no projeto docentes e estudantes das graduações de Medicina, Direito e Arquitetura e Urbanismo.
  • Universidade de Pernambuco (UPE – Campus Garanhuns): Também se insere no projeto com docentes e estudantes das graduações de Medicina, Psicologia e Geografia.
  • Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE): Participa e ainda agrega a expertise do curso de Medicina Veterinária, com docentes e estudantes.

A cooperação mútua foi formalizada através de Termo de Compromisso assinado por Valdi Pimentel de Gois (Secretário de Saúde de Paranatama), Adriana Pereira Dantas Carvalho (Presidente da AESGA), Patrícia Maria Tenório de Souza (Vice-diretora da UPE Garanhuns) e Mácio Farias de Moura (Vice-reitor da UFAPE). 

O Suporte à Comunidade de Serra das Vacas

A proposta de intervenção e pesquisa direciona seus esforços para a comunidade de Serra das Vacas, localizada na zona rural de Paranatama. A região abriga o complexo eólico instalado desde 2015.

A transição energética, embora necessária frente às mudanças climáticas, não ocorre de forma neutra, gerando desigualdades históricas e processos de vulnerabilização em territórios do Campo. Estudos científicos já evidenciam impactos severos nos modos de vida locais e na saúde humana e animal, situação que tem sido objeto de estudos sobre conflitos socioambientais e impactos territoriais, decorrentes da implantação de grandes empreendimentos energéticos. Populações de agricultores familiares da região têm reportado vulnerabilidades associadas à exposição contínua a ruídos de baixa frequência, infrassons e ao tremeluzir das pás das turbinas. Entre os principais agravos relatados por moradores e observados em estudos semelhantes encontram-se:

  • Transtornos mentais leves (TML), ansiedade, estresse crônico e depressão;
  • Quadros severos de insônia e distúrbios do sono;
  • Alterações fisiológicas e sensoriais, como labirintite, tonturas, zumbidos e perda de equilíbrio;
  • Repercussões cardiovasculares, incluindo picos de hipertensão arterial e arritmias.

Ademais, o projeto lança um olhar atento sobre o bioma da Caatinga, uma riqueza ecológica exclusivamente brasileira e altamente vulnerável à desertificação e ao desmatamento, cujos impactos ambientais afetam diretamente a segurança hídrica e alimentar dos moradores.

O projeto visa compreender, monitorar e intervir nos impactos das mudanças climáticas e da transição energética na saúde das populações de Paranatama, contribuindo para o fortalecimento da vigilância em saúde, da atenção integral, da participação social e da justiça ambiental, com vistas à redução de iniquidades em territórios vulnerabilizados. 

Fortalecimento Institucional e Projeção Nacional

A aprovação do projeto na 13ª edição do PET-Saúde Clima atesta a excelência acadêmica e o compromisso social das instituições envolvidas AESGA, UPE e UFAPE, junto à Secretaria Municipal de Saúde de Paranatama.

A publicação e o acompanhamento das ações deste PET-Saúde Clima elevarão o reconhecimento dessas instituições de ensino a nível nacional. Ao alinhar-se com as diretrizes do Ministério da Saúde (como o programa AdaptaSUS 2024-2035 e o Programa Brasil Saudável), o Agreste Pernambucano assume o protagonismo na construção de um modelo de saúde pública que é integral, indissociavelmente, humano, interprofissional e resiliente às mudanças climáticas.

Importante: Estudantes e Professores interessados da AESGA, UPE e UFAPE, fiquem atentos que em breve sairá o edital para seleção dos participantes.

Fonte: Assessoria de Comunicação – comunicacao@aesga.edu.br